sexta-feira, 29 de abril de 2011

A REFORMA DA LEI DE DIREITO AUTORAL - Por Guilherme Coutinho


Durante o governo Lula, o Ministério da Cultura ganhou enorme importância, a partir da nomeação de Gilberto Gil como ministro. O músico não só trouxe mais holofotes ao MinC, como tratou de trazer novos temas para a agenda cultural do país, prática continuada pelo seu sucessor Juca Ferreira. Destaca-se o tema que trataremos aqui: uma mudança na forma de enxergar o direito autoral.
O Creative Commons (CC), que possibilita licenciamentos gerais, onde o autor determina os casos em que sua obra pode ser livremente utilizada por qualquer pessoa, foi adotado pelo ministério em seu site e estimulado pelo cantor/ministro. É importante lembrar que este tipo de licenciamento é baseado na própria ideia de direito autoral, não sendo contrário a este, apenas criando novas possibilidades mais compatíveis com a atual realidade de livre acesso à informação.
O governo foi mais além e criou ainda um Fórum para discutir o tema. Foram realizadas mais de 150 reuniões em todo o país, 9 seminários nacionais e internacionais, inclusive em Florianópolis, nos quais o GEDAI (Grupo de Estudos em direito Autoral e Informação da UFSC), do qual faço parte, participou ativamente. Ao final, foi colocada em consulta pública uma proposta para revisão da Lei nº 9.610/1998, que regula os Direitos Autorais. A consulta ocorreu em uma plataforma pública na internet, com 7863 contribuições, em que todos podiam ler os comentários feitos, o que possibilitava uma discussão de fato sobre os tópicos e maior transparência de consulta pública através da internet que receberam. A partir da discussão foi formulado um novo anteprojeto, que seguiu para a Casa Civil e foi devolvido ao Minc no início da nova gestão.
A necessidade de revisão da lei pode ser exemplificada por recente estudo da Consumers International (órgão internacional de defesa dos direitos dos consumidores) que aponta a legislação brasileira como a 4a. mais restritiva do mundo em relação ao acesso aos produtos e serviços culturais. Isso acaba resultando em um total descumprimento da lei pela grande maioria da população. Práticas como copiar um CD (mesmo que adquirido legalmente) para o computador, ou tirar cópia de um livro completo para poder riscar ou emprestar para um amigo são ilegais. Os casos em que uma obra pode ser livremente utilizada são muito poucos. Mesmo usos de obras pra fim didáticos é bastante restringida.
Ana de Hollanda foi nomeada como a nova ministra de cultura do governo Dilma, o que ocasionou grandes dúvidas acerca da esperada continuidade na política do ministério. A nova ministra, logo após assumir o cargo e mesmo antes de nomear a diretoria de Direitos Intelectuais (DDI), determinou a retirada do selo indicativo do CC no site do Minc. A atitude foi acompanhada de uma simples nota, sem maiores comentários ou informações sobre como ficariam os licenciamentos do material já divulgado. Causou espanto também a divulgação no próprio site do MinC de encontro oficial da ministra com Hildebrando Pontes, advogado do ECAD de Minas Gerais, logo no início do mandato. A escolha de Marcia Regina Barbosa, que já escreveu, trabalhou e é coautora de livro com Hildebrando, que admitiu ter sido sondado para o cargo, foi muito questionável. A própria ministra já fez diversas declarações favoráveis à entidade encarregada de arrecadar e distribuir direitos autorais de músicas. A questão é que um dos pontos abordados na discussão da nova lei é justamente a supervisão do ECAD, órgão que recentemente repassou quase R$ 130 mil para um falsário que se disse autor de trilhas sonoras de filmes na verdade compostas por nomes Sérgio Ricardo e Caetano Veloso.
Quem trabalha com produção cultural já está acostumado com as práticas intimidadoras utilizadas pelo órgão, que ameaça o cancelamento de eventos e utiliza o recurso judicial com frequência. Os métodos de cálculo sobre os valores supostamente devidos são criados pelo próprio órgão (ou associações que o compõem) e são bastante confusos. Artistas independentes por vezes têm que pagar par poder executar suas próprias músicas, eventos educativos, religiosos ou de caridade também não são isentos do pagamento.
Neste novo contexto, em que percebe-se uma mudança na política cultural do país mesmo em um suposto governo de continuidade, abre-se outra consulta sobre a revisão do anteprojeto, sob a alegação de que novos debates eram necessários. Porém, desta vez, o processo não utilizará de plataforma pública. É exigido que as manifestações sejam feitas por e-mail em formulário próprio do MinC, feito em documento do Word da Microsoft, programa proprietário. Tudo isso na contramão das políticas do próprio governo de incentivar o uso de softwares abertos e gratuitos.
Cabe aos artistas, produtores culturais e público em geral ficarem atentos e expressarem sua opinião, pois o tema tem reflexos diretos em todos.
Por Guilherme Coutinho | Advogado | Músico
www.califaliza.com.br

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E quando a gente desacredita? - Por Ariela Grubert



Comecei este texto já algumas vezes, e nenhuma consegui avançar pelo simples motivo que um final otimista me parecia impossível. Quis falar sobre políticas culturais, um tema que envolve e afeta diretamente não só quem trabalha com cultura, mas a quem ela é destinada também. Pesquisei mais a fundo sobre o que está acontecendo no Brasil no momento, e o que era para ser um texto simples já estava virando uma monografia, então tentei focar. No caso de Santa Catarina, por exemplo - que é onde eu vivo e tento (algumas vezes sem sucesso, mas nunca em vão) sobreviver de produção cultural; pode-se perceber que até hoje não houve uma continuidade mesmo no conceito de cultura de cada governo – que é a premissa para que as políticas culturais façam sentido e tenham efeito, que funcionem.  Uns a conceituam como algo inerente ao ser humano, desde seu comportamento e seus hábitos até a produção artística, como uma maneira de criar ou reforçar a identidade de uma população. Outros a vêem como instrumento para divulgar o Estado através de feiras e eventos. Por fim, outros não tem nem idéia do que vem a ser cultura e acabam juntando com turismo, esporte e lazer.
Em 1987, com o governo de Pedro Ivo/Maldaner, o conceito de cultura era antropológico, o que resulta num comportamento “democrático pluralista”. Ou seja: desenvolve políticas com uma orientação aberta às manifestações culturais mais variadas, baseadas “no princípio de que a cultura é uma força social de interesse coletivo que não pode ficar à mercê das disposições ocasionais do mercado [...]. Não privilegia modelos previamente determinados [...] e tem no Estado e em suas instituições culturais públicas e semipúblicas seus principais agentes.” (COELHO, 2004, p. 299). O Plano deste governo dividia o setor cultural em quatro eixos: Produção, Difusão, Consumo e Administração. A produção aparece como o fomentador do desenvolvimento de produtos culturais que exaltem a identidade cultural catarinense.
Já o governo de Kleinubing/Konder Reis (1991/1994) apresenta um conceito de cultura mais sociológico, incluindo a música, a literatura, as artes plásticas, o patrimônio histórico (museus, monumentos, edificações, sítios arqueológicos), as artes cênicas (teatro, circo, dança) e as artes  visuais (cinema, televisão, fotografia), e o Plano espelha-se em modelos internacionais, que vinculam a arte/cultura ao crescimento econômico, incentivando o turismo, a chegada de novas empresas e o tão especulado atualmente, mercado imobiliário. Exemplo: Oktoberfest.
Em 1995, na gestão Paulo Afonso/Hulse, o objetivo cultural é preservar, incentivar, valorizar e divulgar o que é produzido no Estado. Algumas ações deste governo: lançamento do projeto Cultura Viva (cultura em prol da cidadania e do desenvolvimento da qualidade de vida), editais que financiavam os setores da cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Porém, as artes mais consagradas parecem ter tido maior apoio do que as manifestações mais populares. No governo de Esperidião Amin (1999-2002) , continua o objetivo de preservar a identidade cultural catarinense, com o resgate de tradições e do folclore. Exemplo: Festa das Etnias, que, segundo o vice-governador Paulo Bauer, objetivava “contribuir para a afirmação da verdadeira `gente Catarina` que somos e seremos cada vez mais” (BAUER, 2000).
De 2002 até 2010, Santa Catarina foi governada por Luiz Henrique da Silveira, e quando você procura por “políticas culturais” dessa gestão, acaba ouvindo barulho de grilo ao fundo. LH falou de internacionalização da cultura catarinense, e isso para ele deve ter sido realizado com a chegada do Bolshoi em Joinville. Nessa gestão, houve a unificação de secretarias, criando a Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte. Também foi nessa gestão que o CIC entrou em reforma - o que deveria ser uma fato positivo, afinal muitas exposições não vieram para o Estado por que o MASC estava repleto de goteiras, como bem retrata Ligia Gastaldi no texto “A novela do CIC”* . Além disso, ainda teve o vergonhoso atraso na entrega da verba destinada aos contemplados do edital Elizabeth Anderle, entre outros “casos de descaso” que envolvem não só o Governo do Estado, mas também a prefeitura de Florianópolis
 Pensando nisso tudo, o próximo passo é desacreditar num futuro promissor para quem vive de cultura? Calma, tem o outro lado, onde não se deve depender somente do Estado para viabilizar os projetos e é aí que eu começo a acreditar novamente. Acredito em iniciativas como o projeto Clube da Luta, como a Célula Cultural – que teve sua reinauguração na última sexta (15/4) e é um espaço pioneiro que deve ser valorizado porque também valoriza a produção local e tem estrutura para crescer ainda mais, sem depender de governo nenhum senão o de si próprio. Outras iniciativas que conseguem andar com as próprias pernas são a Galeria COR, na Lagoa da Conceição, a escola de música Rafael Bastos, a produtora Harmônica - que mesmo nos eventos corporativos que realiza, inclui bandas e artistas locais na programação. O Transitoriamente do Antônio Rossa, a Vinil Filmes  (assista “Matou o cinema e foi ao governador”), o Mago Realizações, a Insecta, entre outros tantos que andam de fato produzindo cultura mesmo que muitas vezes em condições adversas. São iniciativas como essas que movimentam o cenário artistico de nosso estado, e nos proporcionam reflexões críticas acerca de assuntos tão polêmicos como este. Comecei o texto com a preocupação de não haver a possibilidade de um final otimista, mas a verdade é que não existe um final, e sim diversos caminhos que podem ser explorados, incluindo ou não o poder público, usando principalmente o poder da iniciativa e persistência que levam os projetos culturais à sua realização.
Por Ariela Grubert |produtora cultural | amg produções
*http://harmonicaarte.blogspot.com/2011/04/novela-do-cic.html#links

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Produção Cultural é assunto para "profissionais"!

Você público: já foi a um show com infra estrutura precária? Já esperou um evento começar por horas? Ou mesmo, já foi em algum show que não entregou o que prometeu? E Você artista? Já foi contratado para um evento que não te ofereceu a infra estrutura necessária e acordada? Já foi envolvido em atrasos que não estavam programados? Já deixou de receber teu cachê?

Se você esteve em qualquer um dos lados certamente você foi vitima de um produtor amador que definitivamente não sabe o que é produzir um evento cultural.

É muito comum ouvirmos perguntas como “o que é um produtor cultural e o que ele faz” visto que este é um fazer que se constituiu como profissão recentemente. No Brasil, foi somente na década de 60 que a palavra produção no contexto da cultura começou a tomar corpo e criar forma. A profissionalização do produtor até então dava-se pela prática, principalmente no Brasil, pois o aparecimento de cursos específicos data da década de 80, necessidade que surgiu junto com a criação das leis de incentivo.
“Varias foram as gerações de empreendedores culturais que se formaram intuitivamente, apreendendo com erros e acertos. Até bem pouco tempo, a prática era a única via de aprendizado para aqueles que pretendiam abraçar a profissão. O conhecimento acumulado era transmitido aos iniciantes no calor da realização dos projetos, o que equivale a qualquer coisa como aprender a pilotar com o avião em pleno vôo.”
O trecho acima é do livro “ O Avesso da Cena, Notas sobre Produção e Gestão Cultural” do administrador cultural Rômulo Avelar, suas palavras traduzem bem o atual cenário da industria cultural: uma latente reflexão sobre o processo formativo do profissional de cultura.
Como ainda não é uma profissão regularizada, a falta de formação e experiência acaba abrindo precedente pra que qualquer figura se intitule produtor ou gestor cultural, alguns motivados pela necessidade, outros pela falta opção, e outros pela ilusão de que existe glamour. Garanto a vocês, ser produtor é muito mais transpiração do que inspiração.

Independentemente do tipo de produtor cultural, seja ele teatral, cinematográfico, musical ou alguém que organiza um evento de outro caráter, parte-se da premissa de que esta figura é fundamental e indispensável na realização e manutenção de um projeto ou idéia.
 Richard James Burgess, produtor musical americano com larga experiência em produzir bandas como os Beatles e U2, afirma que a principal característica do produtor é a sua iniciativa, além de sua capacidade de elaborar alternativas e de seu planejamento.
Por falar em inovar, o Consultor Waldez Ludwig diz que nós vivemos numa economia baseada em conhecimento e que o único fator de competitividade que importa no mercado é a capacidade de inovar.
O produtor cultural trabalha em uma área muito ampla. Ele assume a interface entre a criação artística e a disseminação do bem artístico cultural. Precisa estar apto para lidar com planejamento, produção, organização, divulgação, pesquisa, promoção, registro dos trabalhos executados, controle de receitas e custos operacionais, captação de verbas, formatação de projetos e parcerias com iniciativas públicas e privadas. É também aquele que defende os interesses de quem produz a atividade cultural, podendo ser o artista, entidade cultural ou uma empresa.
Independentemente do nome atribuído a esta função, seja ela produtores, agentes, empresários culturais, todos eles buscam o mesmo fim, uns por necessidade e outros por vocação. Mas ao menos deve haver características comuns a todos, tais como liderança, persistência, criatividade e ética, além da necessidade de estar sempre informado, atualizado e principalmente ter respeito pela produção artística.  Este profissional deverá também estar apto a incorporar ao seu trabalho uma reflexão crítica acerca da produção da cultura no país, estimulando e contribuindo para a promoção de novos espaços e potencialidades criativas e expressivas no cenário cultural brasileiro.
Sua atuação responsável e comprometida, aliada a políticas culturais públicas consistentes e programas de financiamento acessíveis, pode se tornar um caminho promissor para o fomento à produção e criação artística, assim como na construção de uma sociedade mais justa no que diz respeito à distribuição e democratização do acesso ao bem cultural.

O mercado exige cada vez mais a profissionalização dos produtores. Seja por formação ou por responsabilidades. Mas é fato que amadores finalmente estão perdendo seu espaço!

Por Paula Borges e Heitor Lins
Colaboração: Ligia Gastaldi

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A novela do CIC - Por Ligia Gastaldi


Esta semana o Governo de Santa Catarina entregou as salas das oficinas do CIC. Só para lembrar: há dois anos o Centro Integrado de Cultura foi fechado para uma reforma geral. Desde então cinema, teatro, oficinas, pararam de funcionar. Milhões de reais já foram para essa obra regada a muita polêmica.
Segundo o Presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Joceli de Souza, em entrevista para a TVCOM, a verdade é que "vários setores do CIC foram fechados antes mesmo da licitação para obras e isso foi um erro". Entre os setores fechados sem licitação estão o teatro e o cinema. E aí eu pergunto: se nem licitação tinha por que fechar? Pior, por que desmontar todo o teatro e transformá-lo em depósito de entulhos? A única resposta é "foi um erro". 

Para nós amantes da cultura esse erro tirou de cena o único teatro decente para shows maiores e um cinema que tinha uma bela programação. O pior é pensar que licitação para o teatro e o cinema sequer foi aberta e segundo  Joceli,  "após a homologação da licitação, demora ainda, pelo menos, 12 meses para o Teatro ter andamento das obras". Cá entre nós, a gente sabe que se admitem 12 meses a verdade é que vai demorar muito mais. Portanto, até 2012 nada de teatro.
Enquanto isso os produtores locais usam outros espaços para shows que deveriam ter como sede um bom teatro. Nossos dois outros teatros, o Álvaro de Carvalho e o Teatro Pedro Ivo Campos, são pequenos, o que inviabiliza muitos shows.
Lamentável.

Quem passa pelo CIC hoje vê o estacionamento abandonado e acessos cheios de lama.

  

Ou seja, essa entrega de salas de oficinas me parece mais uma atitude política do tipo: "ó estamos resolvendo" do que realmente a solução. Vamos entregar qualquer coisa que as críticas vão amenizar. Não meus senhores, não ameniza não. E ainda bem que há cobrança porque caso contrário correríamos o imenso risco de o CIC ficar abandonado de vez.
Torço para que a licitação do teatro e do cinema saiam logo. Torço para que tomem vergonha na cara e tenham mais respeito pelo patrimônio público.
Mas o que fica mesmo hoje é que esta atitude de irresponsabilidade e incompetência nada mais é do que o retrato da falta de interesse dos nossos governantes pela cultura.
E isso sim me deixa de luto.

Ligia Gastaldi
Jornalista

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SORRISO CURADOR

O projeto Agentes do Riso, da Traço Cia. de Teatro, de Floripa, estreia em 2011 com foco na expansão do trabalho pra lá de bacana. Para levar mais arte clown para hospitais da Capital, a turma convidou o ex-integrante do Doutores da Alegria, Ésio Magalhães, pra ministrar uma oficina para a formação de doutores/palhaços para intervenções. Será de segunda a quinta-feira da semana que vem, com patrocínio da Unimed Grande Florianópolis, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. 


Realização: Harmonica Arte e Entretenimento 

* Nota extraida  da Coluna de Juliana Wosgraus (Diário Catarinense, 25/fev/2011)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Floripa Tem 2011

A Harmônica sente-se muito orgulhosa de fazer parte da produção do Floripa Tem, pela 4ª vez consecutiva.



O Floripa Tem é considerado o maior evento de verão do sul do país. São diversos shows musicais, passeios culturais, arena kids e oficinas de esportes.
Encontros como este, entre Zélia Duncan e Jorge Ben são inesquecíveis. 

Em 2011 o evento impactou mais de 1milhão de pessoas. Que venha 2012. 
A Realização é do Grupo RBS

                                                                          (Crédito da foto: Franco Rodrigues)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Marketing Cultural: reflexões para 2011.

O Ano de 2010 caminha para o fim e com ele o prazo de entrega de muitos projetos que visam aprovação para o ano que vem. Estima-se que na Lei Federal, a cada 10 projetos aprovados, apenas 4 são captados e realizados. Um numero pouco divulgado, mas que simboliza a deficiencia das Leis de incentivo. Falta entendimento das empresas para patrocinar? falta interesse? falta capacitação de quem deveria captar estes recursos? Qual o problema?
Refletindo sobre a importancia do Mkt Cultural, entendemos que existem muitas vantagens em sua prática, pois o projeto cultural tem a capacidade de transportar uma informação do universo do público consumidor daquele produto cultural para o do público consumidor do produto ou serviço da empresa patrocinadora.
O jornalista e consultor especializado em marketing cultural Alexandre Possendoro diz que "com variações, o mkt cultural é uma atividade genuinamente nacional, fruto da junção de alguns fatores sociais. O embrionário foi a carencia social". Pra elee pra muitos gestores, as empresas, produtores e entidades com fins culturais perceberam que o Estado não tem, nunca teve e talvez nunca tenha condições de atender a todas as demandas culturais da sociedade. Ou seja, o Estado nunca terá condições de produzir todos os filmes, todos os espetáculos teatrais, de dança, exposições, shows, livros etc etc etc, enfim, todos os sonhos da sociedade não cabem no Estado. Já a empresa privada que vive nesta sociedade precisa compartilhar estes sonhos. Seus donos, diretores, clientes e também os filhos, parentes .. todos vivem nas cidades e precisam consumir a cultura, ter acesso a ela e a educação.
Trata-se de um processo obvio, na qual a empresa sabe que pode, deve e que terá vantagens ao investir na sociedade da qual ela mesma depende em todos os sentidos.
Porém, o ato de financiar um projeto não deveria apenas se dar no ambito do desconto fiscal, pois o governo não pode transferir para a iniciatica privada a SUA tarefa de promover a cultura.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Capital ganha fundo de cultura

Florianópolis conta agora com um dispositivo que fomenta os investimentos em projetos de cunho artístico e cultural

Fonte: Texto publicado na coluna de  Rene Muller (Diário Catarinense 09/11/2010)

A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou o projeto de lei do Executivo que institui o Fundo Municipal de Cultura, vinculado à Fundação Cultural de Florianópolis O novo mecanismo vai proporcionar financiamento de projetos culturais – e tem potencial para transformar a Capital em uma referência na área.

A proposta é de autoria da Fundação Cultural de Florianópolis, e foi entregue ao prefeito Dário Berger no início do ano. Foi elaborado pelo diretor de Patrimônio Cultural da Fundação Franklin Cascaes, Dennis Radünz, e baseou-se em especial nos fundos existentes em Joinville, Porto Alegre (RS) e Recife (PE).

O novo fundo foi aprovado com rapidez, e de modo unânime, inclusive pelos parlamentares de oposição. Isso porque já precisa entrar na proposta orçamentária do ano que vem – a parte da prefeitura corresponde a 0,9% da previsão Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Isso deve ficar entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

Também integram a receita do fundo subvenções, transferências e auxílios oriundos de convênios e acordos celebrados com instituições públicas e privadas, bem como doações, bens móveis e imóveis recebidos de pessoas físicas e jurídicas, receitas de eventos, entre outros.

As disponibilidades do fundo serão aplicadas em projetos que visem o fomento e o estímulo a programas e produções de natureza artística e cultural da Capital.

O projeto prevê a criação da Comissão Gestora do Fundo Municipal de Cultura, com a atribuição de orientar, administrar e fiscalizar seu funcionamento, composta pelo superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, dois membros indicados por livre escolha do chefe do Poder Executivo Municipal e dois da sociedade civil indicados pelo Conselho Municipal de Política Cultural, com mandato de um ano e sem remuneração.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

#Dica de Leitura

                                                  

Muito interessante e pertinente a reflexão de Leonardo Brant  em seu post sobre os novos desafios culturais para o próximo governo. 

Já que a cultura foi de certa forma "excluída" dos debates de todos os candidatos (para governo e presidência) os Blogs e meios virtuais se encarregaram de estabelecer o dialogo entre a classe artística, seja ela produtora ou consumidora de arte!

Acesse o Link e Boa Leitura!!
http://ht.ly/35NiQ

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

15º Festival Catarinense de Teatro



De 16 a 21 de Novembro Brusque sedia a 15ª edição do Festival Catarinense de Teatro. Promovido pela Federação Catarinense de Teatro e realização da Fundação Cultural de Brusque, o projeto conta ainda com o  patrocínio do Funcultural, da Secretaria do Estado de Turismo, Cultura e Esporte.
A Harmônica Arte e Entretenimento estará representada pela Traço Cia de Teatro com o espetáculo de rua “Fulaninha e Dona Coisa” dia 19/11 as 12h na Praça Central de Brusque.

Todas as apresentações são abertas ao público.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Palhaços tomam conta das ruas da Capital!!


A Arte da Palhaçaria leva diversão  a quatro bairros de Florianópolis na 2ª Mostra Teatro de Bolso - O Riso Corre Solto, uma iniciativa da Traço Cia de Teatro que visa aproximar o teatro da comunidade.

Todos os espetáculos são gratuitos e voce pode conferir a agenda completa no www.tracoteatro.blogspot.com

Quando: 21/Outubro até 29/Outubro.

A Realização é da Harmonica Arte e Entretenimento

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MinC simplifica procedimentos que regulamentam Lei de Incentivo à Cultura

Aos interessados em Políticas Culturais, segue o link para leitura da nova instrução normativa (IN) do MinC que diminui a lista de documentos a serem enviados ao ministério e por outro lado estipula novos prazos de entrega de projetos para análise.

Link:
http://www.cultura.gov.br/site/2010/10/06/instrucao-normativa
http://www.cultura.gov.br/site/2010/10/06/instrucao-normativa 

A partir de agora, poderemos encaminhar projetos para o MinC entre 1º de
fevereiro a 30 de novembro de cada ano.

Boa Leitura!!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Propostas pra novas Políticas Culturais!

 Nestas eleições teremos a oportunidade de mudarmos ou melhorarmos a política cultural de nosso Estado e de nosso País. Basta sabermos quais as propostas apresentadas pelos candidatos e consciência na hora do voto.
A seguir, dois exemplos de sucesso na administração cultural, e que poderiam servir de modelo para nós:

O Reino Unido pode ser considerado um "modelo alternativo de administração cultural". Trata-se de uma país fortemente embasado na participação pública, mas que possui um envolvimento com o setor privado, promovendo assim a expansão cultural através das relações intimas da cultura com outros setores. Hoje a política pública desse pais esta baseado na descentralização do poder de decisão acerca dos projetos a serem financiados, dando maior autonomia as decisões regionais. Cada região desenvolve e estimula estratégias culturais locais, mas que se pautam nas politicas culturais estabelecidas nacionalmente.

Já na França a cultura é vista como um assunto de estado. É um país pioneiro na idealização e na prática do que hoje se compreende por politica cultural. Desde os tempos da monarquia, o governo francês tem exercido forte papel no desenvolvimento e na difusão da cultura. Mas a partir da década de 60, sua politica passou a ser sustentada por 2 vértices: a profissionalização dos agentes culturais e a criação de instituições culturais.

Como a gente pode perceber, a França e o Reino Unido comprovam que é impossível tratar de forma fragmentada os setores culturais, ou seja, a cultura possui habilidades únicas para permear todas as áreas da sociedade. Estes países olham para a cultura como um segmento benéfico a ações economicas e sociais.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Livro sobre teatro na escola é lançado em Florianópolis


A Produção é resultado de estudos sobre as práticas que podem ser utilizadas em sala de aula e auxiliar no comportamento e aprendizado.
Será lançado na próxima Quinta-feira (10), o livro Drama e Teatralidade: o ensino do teatro na escola, escrito pela mestre em Teatro e professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Heloise Baurich Vidor. O Lançamento será na Livraria Saraiva MegaStore, no Shopping Iguatemi, às 19h.
O livro aponta as possibilidades que existem para que um professor de teatro desenvolva com seus alunos, trabalhos teatrais dentro ou fora da sala de aula. Com a pesquisa apresentada, a autora propõe uma discussão mais aprofundada sobre o papel lúdico de um professor, utilizando-se de duas práticas realizadas dentro do processo pedagógico. Estas metodologias visam  enfrentar problemas correntes dos alunos como indisciplina e desinteresse pela escola.
Sobre a Autora
Heloise Baurich Vidor é atriz, Mestre em Teatro e professora efetiva do Departamento de Artes Cênicas da UDESC, na área de Pedagogia do Teatro.
O livro “Drama e Teatralidade: O Ensino de teatro na escola” foi publicado pela editora Mediação, contemplado com o Edital Elizabeth Anderle de Estímulo à Cultura, promovido da Fundação Catarinense de Cultura.
Serviço
O Quê: Lançamento do Livro Drama e Teatralidade: o ensino do teatro na escola
Onde: Livraria Saraiva MegaStore – Shopping Iguatemi – Florianópolis
Quando: 10/06 - quinta-feira
Horário: 19h
Entrada: Gratuita

terça-feira, 11 de maio de 2010

Encerra a Temporada do Espetáculo "As Tres Irmãs"

 Após duas semanas em cartaz, o espetáulo do Grupo Traço faz uma pausa nas apresentações.
Com casa cheia todos os dias, o premiado espetáculo sensibilizou e emocionou muitas pessoas. A seguir um trecho da critica escrita por Marco Vasques, que pode ser conferida na integra no blog: http://poetasnosingular.blogspot.com/

"(...) após assisti ao espetáculo As três irmãs, meu coração carregava orquestras inteiras e um coro de mil vozes tocando Bach. Uma das maiores alegrias é sair do teatro em estado de abismo absoluto. Ver essas meninas no palco é como dançar dentro do barril de Diógenes e reencontrar-se com o teatro. Tchekhov aprovaria cada linha adaptada, cada acréscimo feito. O espetáculo concebido por Marianne Consentino prioriza o conflito das três irmãs a partir do ser e seu estar-aí. É o tempo que escoa para o irrefutável. É a saudade de um lugar: um não-lugar. São as frustrações diárias e a busca cinzenta de olhar a luz. É a sensação de apenas estar-aí. Todos temas buscados da peça de Tchekhov, portanto, a adaptação é fiel ao conflito principal da peça original que consiste na investigação e na afirmação da indagação: este é o nosso mundo, esta é a nossa vida, estas são nossas crueldades, e agora? Que senda urdir? As três irmãs consiste num hino fúnebre à imobilidade da vida (tão semovente e escorregadia). É uma investigação profunda da existência e seu sentido, seu não-sentido. É a busca de uma luz e um caminho para a orientação dos sentidos dentro do tempo. As atrizes Paula Bittencourt (Irina), Débora Matos (Olga) e Greice Junqueira (Maria: Macha no texto original) se utilizam da linguagem do clown para nos iluminar com o humor negro e ácido que nos leva ao riso-desespero.(...)"

terça-feira, 16 de março de 2010

Usando as redes sociais para causas sociais!!

A Harmônica Arte e Entretenimento está envolvida na produção do Twestival:

Resumindo, é um evento humanitário, nós devemos unir forças e  conseguir doações para a @concern, (que é uma entidade que atende crianças subnutridas na Africa ) e + o Lar Recanto do Carinho. Toda a bilheteria é revertida em benefío destas Ongs.

By: http://florianopolis.twestival.com

No dia 25 de março de 2010, centenas de cidades ao redor do mundo estarão realizando o Twestival ou Twitter Festival. As pessoas estarão unidas ”offline” para realizar um evento e se comunicarem pessoalmente.
Mas o principal intuito do evento é usar a internet para fazer o bem. A organização do evento é 100% voluntária e o fundos arrecadados com o evento serão doados a instituições de caridade que realmente precisam.
Então? quer fazer uma boa ação, se divertir e ainda conhecer um monte de gente bacana que usa o twitter aqui em Floripa? A programação está sendo fechada e muita coisa boa vai rolar na edição 2010 do Twestival Florianópolis.
Infos:
25 de março (quinta-feira) a partir das 20h.
John Bull Café (Centro - Fpolis)

Entrada: R$ 10,00
Levando itens de higiene = 7,00
Alunos do Senac TI = R$ 5,00 mais itens de higiene

Divulgue o evento no seu twitter, escreva no seu blog ou site, convide seus amigos para a festa!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Além da produção, o acesso

CULTURA


Além da produção, o acesso

Acontece hoje, às 19h, no plenarinho da Assembleia Legislativa, em Florianópolis, um debate em torno de dois projetos de leis federais de incentivo à cultura e à fomentação de produção do setor.



O primeiro projeto a ser discutido é a criação do Vale-cultura. Este faz parte da reforma proposta pela Lei Rouanet, e visa dar aos trabalhadores acesso a diversos produtos culturais, como livros, DVDs, CDs. Além de facilitar o acesso a shows, museus, teatros e cinemas.



O outro plano a ser debatido na noite de hoje é o Projeto de Lei Complementar 468/09, que muda a forma de tributação dos produtores culturais no Supersimples. O objetivo é reduzir os impostos pagos pelas empresas que produzem eventos culturais e artísticos.



Para o Coordenador do Fórum Cultural de Florianópolis, Murilo Silva, o Vale-cultura é a chance do setor ter a primeira política pública voltada ao consumo, ao invés da produção cultural.



– Em Florianópolis, por exemplo, o vale-cultura significará a ocupação de muitas poltronas vazias em espetáculos e salas de cinema – afirma Murilo Silva.



O debate será promovido pela Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Alesc e pelos deputados Padre Pedro Baldissera e Pedro Uczai.